Últimos Poemas
Amor Incrível
Namoro: E a chuva cai, eu eu olhando fixamente para ela, uma chuva qualquer, mas em cada gota, em cada ruído, em cada
movimento, meu pensamento é outro. Como é bom se eu estivesse ao seu lado, como é bom sentir o seu perfume,
como é bom sentir seu beijo, como é bom !...
Os poemas
Mário Quintana: Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava...
Toque
Amor: Coração acelerado,
Corpo suado,
Amor bem amado.
Beijo não beijado,
Sentimento complicado,
Desejo definhado.
Medo vergonha,
Loucura desvairado,
Adrenalina, respiração sufocado.
O mais intimo molhado,
A procura de um toque,
Não tocado. ...
Nota social
Carlos Drummond de Andrade: O poeta chega na estação.
O poeta desembarca.
O poeta toma um auto.
O poeta vai para o hotel.
E enquanto ele faz isso
como qualquer homem da terra,
uma ovação o persegue
feito vaia.
Bandeirolas
abrem alas.
Bandas de música. Foguetes.
Discursos. Povo de chapéu de palha.
Máquinas fotográficas assestadas.
Automóveis imóveis.
Bravos...
O poeta está melancólico.
Numa árvore do passeio público
(melhoramento da atual administração)
árvore gorda,...
Soneto do Amor Total
Vinícius de Moraes: Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério...
Comunicação
Cecília Meireles: Pequena lagartixa branca,
ó noiva brusca dos ladrilhos!
sobe à minha mesa, descansa,
debruça-te em meus calmos livros.
Ouve comigo a voz dos poetas
que agora não dizem mais nada,
– e diziam coisas tão belas! –
ó ídolo de cinza e prata!
Ó breve deusa de silêncio
que na face da noite corres
como a dor pelo pensamento,
– e sozinha...