Últimos Poemas
Amar
Carlos Drummond de Andrade: Que pode uma criatura senão,
senão entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão...
Feliz Páscoa Amigo!
Páscoa: Resolvi fazer uma mensagem de Páscoa bem bonita e cheia de carinho, para que pudesse homenagear a nossa amizade.
Pensei em algo para te simples, pois meu desejo é um só: Te deixar mais feliz...
Te fazer sentir o quanto é importante ser amigo
Um Algo assim para para te deixar de alto astral!
A...
Boca
Carlos Drummond de Andrade: Boca: nunca te beijarei.
Boca de outro que ris de mim,
no milímetro que nos separa,
cabem todos os abismos.
Boca: se meu desejo
é impotente para fechar-te,
bem sabes disto, zombas
de minha raiva inútil.
Boca amarga pois impossível,
doce boca (não provarei),
ris sem beijo para mim,
beijas outro com seriedade.
...
Feliz Aniversário Meu Amor
Aniversário: Gostaria de escrever-te hoje uma mensagem
bem legal, mas bem legal mesmo!
Diferente de tudo que já te escrevi e falei.
Uma mensagem sem rasuras ou uma única
gota de tristeza molhando suas letras.
Que ao lê-la teu coração pulsasse mais
rápido, teus olhos brilhassem mais e teus
lábios pudessem sorrir, comovidos.
Uma carta simples, mas espontânea,
que te deixasse...
Aquela mulher é minha mãe
Dia das Mães: Aquela mulher é minha mãe
Aquela mulher, com brilho no olhar,
firmeza inabalável,
passos apressados, voz forte,
desafiou a todos,
a si mesma desafiou muito mais,
nunca se deteve... avançou em paz.
É a mesma mulher que na solidão,
na pobreza ou na fartura,
dividiu tudo o que sempre conquistou.
Aquela mulher
que passou por cima da brasa
dos seus próprios...
A paixão medida
Carlos Drummond de Andrade: Trocaica te amei, com ternura dáctila
e gesto espondeu.
Teus iambos aos meus com força entrelacei.
Em dia alcmânico, o instinto ropálico
rompeu, leonino,
a porta pentâmetra.
Gemido trilongo entre breves murmúrios.
E que mais, e que mais, no crepúsculo ecóico,
senão a quebrada lembrança
de latina, de grega, inumerável delícia? ...